sábado, 25 de junho de 2011

Madrugadas






O que importa é o contato do olhar, o toque, não basta apenas o coração cheio, inchado de tanto amor.

Ela sabia que era mais uma paixão fugaz,  mesmo assim se entregou, se deu inteira. Foi um lapsodo coração encharcado do desejo de ser feliz, das noites diante da tela mágica buscando...

uma busca frenética e insone,  foi se deixando levar no azul das palavras doces, falsas e insensatas.
Nessa languidez da vida, ela vai noites afora buscando seus enganos, traçando sua jornada insana.
Diante da tela ela mente, usa seu charme pra iludir e ser iludida, nesse desvario múltiplo a sagacidade dos atos é tamanha que ela nem percebe os sentimentos se debatendo, entre dor e prazer, solidão e êxtase, nada a faz pensar no sofrer do depois, tudo o que ela quer é saborear esses momentos, se embriagar nessa demência de entregas anônimas, solitárias mas ao mesmo tempo intensas,  cheias de um tesão efêmero que naquele momento é real!

Ali, naquele instante ela é várias, é a anônima, a intrusa, a eterna apaixonada, o anjo e o demônio.
É apenas a mulher! Nessa divagação ela flutua com as teclas,  numa eterna fome de vida,  varando as madrugadas frias,  entre goles de vinho e promessas de amores virtuais, engendrando os roteiros de seus romances incógnitos,  perdida nas sombras de Mario,  Ricardo, André e Renan.

A relação impessoal através do monitor frio é tudo o que lhe resta, essa sua gana de querer ser amada de amar, é o que a faz brilhar nos corredores escuros onde seus androides desfilam.

Androides mutilados, desfigurados implorando como ela amor, ,compreenssão, buscando afeto.

Clareia a manhã e seus delírios de amores submergem, sua insana realidade vem a tona, seu caos pessoal é também seu altar, repletos de patuás e orações, suas preces invocando um amor vem súbitas e profundas como num lamento uivante.
É manhã fria de outono leve mas sua alma pesa, seu corpo dói, ela se arrasta em busca do seu impossível a espera de novas madrugadas.

Graça Tavares

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