domingo, 28 de agosto de 2011

Fantasma


Ao som de Maria Gadú lágrimas escorrem em seu rosto,
é o fim! Fim do que nunca existiu, ele não e era e nunca foi nada em sua vida, foi apenas um desses esbarrões que acontecem numa dessas tardes infernais.
Mas ela não vai, não quer e nem pode sofrer por ele, ele nem existe!
Isso mesmo, ele não é nada, não é ninguem é apenas um numero no seu celular, um vulto no seu mundo virtual, ele, ele, ele!
Mundo virtual, lá do nada ele surgiu e se apoderou de suas noites na tela, disse frases desconexas, sem sentidos que no momento ela queria ouvir, fingia se divertir, mas agora lágrimas escorrem em seu rosto,e ela não vai chorar por ele, pelo nada que ele é!
ele é apenas um fantasma virtual, e lá existem tantos fantasmas, fantasmas cheios de amor pra dá navegando em sua busca, por que lamentar essa partida?
Precisa se recompor e comemorar, novos amores estão a caminho e ela poderá navegar nesses corpos, sentindo emoções que com ele não sentiu e jamais sentirá.
Assim se refaz coloca um belo sorriso nos lábios, retoca a maquiagem, apaga do seu celular o numero dele, exclue do seu mundo virtual aquele vulto, deletando da sua vida esse-nada-fantasma.
E ao som de Maria Gadú sorrir,afinal Fantasmas não merecem lágrimas.

Graça Tavares


Indecisão


Aquele remorso a corroia, todo esse turbilhão de sentimentos a atormentava.
Como era dificil viver assim, por que tinha que ser assim?
às vezes ela se sentia louca ou será que loucos são os outros? Vai saber, se no fundo o mundo é mesmo um grande hospicio!
E ela se achava inteligente, esperta e astuta, achava que nunca, nunca seria assim com ela, o que via em sua volta era coisas de outras vidas não da sua, lêdo engano, foi sem perceber, quase sem querer que se viu nesse lance, nesse romance desconexo, foi uma brincadeira, era só pra provocar e vê sentir, seu poder de sedução e de repente lá estava ela num "triângulo amoroso". Amor nesse lance não se encaixa!
No primeiro encontro foi um misto de euforia, prazer e remorsos, no segundo rolou uma adrenalinazinha diferente, seus dias sem ele eram desespero puro, ligações a todo instante, mensagens sem limites ambos se achavam pseudos apaixonados, ela o necessitava como o ar, mas o ar se sufocava com tanta carência e aos poucos, ele percebendo sua angustia de ama lo a deixava numa agonia sem compasso, deixando a sofrer num tormento lento e continuo...
Com o tempo ela foi sentindo que na verdade não era amor, não era paixão e sim uma fuga, ele nem amado era muito menos desejado por ela, o sexo com ele era sem graça, não havia um tesão explosivo, era água com açúcar, arroz com feijão, nem prazer ela sentia com ele,nunca chegou ao orgasmo, apenas fingia bem. E vendo que tudo começou pra testar sua curiosidade, pra sentir seu poder de sedução, na verdade tentou fugir da rotina de um casamento descolorido, mas que na cama, na hora do sexo tudo fazia sentido, seu marido a completava ele a fazia gemer no orgasmo pleno, era um tesão inebriante!
Mas então por que o amante?
Isso a atormentava, não fazia sentido, não tinha razão, por que?
Não ela não quer respostas, ela sabe o vazio que vem com elas.
As vésperas de um novo encontro , ela se desespera não quer mais isso, mas ao mesmo tempo sente medo, um medo terrivel de acabar, não é um medo concreto é medo do vazio, esse vazio que a pertubava tinha tudo e ao mesmo tempo nada!

Graça Tavares

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amantes


Numa dessas noites quentes e abafadas mais de uma nostalgia plena, tem mais encanto que uma noite de saudades, saudades boas? ( se é que tem saudade boa,porque saudade é saudade) vou nesse enlevo de recodar e me pego na doce sensação que estais ao meu lado, sou nada
aqui diante da tua ausência, sou lamento, sou dor gritando teu nome.
Nas longas noites que te esperei, ousei sonhar, uma vida cheia de sonhos, sonhos banais, onde nós erámos donos absolutos dos nossos destinos, faziamos macarrão com ovos, pavês de framboesas e riamos de tantas coisas sem nexos, erámos apenas felizes!
Você, uma vida à parte, um sonho meu!
Eu, outra realidade um sonho teu!
Ambos fomos únicos nessa fantasia, vivemos dias, noites e tarde inteiras de prazer, tivemos por segundos, momentos densos um ao outro, nos perteciamos sem nos pertecermos, e como diz a canção:" Você foi dos amores que eu tive o mais complicado e o mais simples pra mim" Mas como toda boa canção é apenas melodia, nós fomos uma doce paixão!
Agora nessa noite quente tua ausência dói e o silêncio de tua voz consegue abafar as vozes do salão, o tilintar das taças cheias e vazias, não superam teu silêncio, morro a cada minuto que não te sinto.
divagando nessa solidão de tua boca na minha, de teus afagos no meu rosto, sofro com a partida e ainda te necessito aqui, sei que tua vida não me pertence nem teus carinhos plenos são meus!
Assim como a minha não é de tua posse, nem nossos beijos podem serem vistos,apenas amamos o impossível numa distância dilacerante e nesse amargo da solidão somos agora amantes despidos de amor.

Graça Tavares

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E restou solidão


Depois do adeus ela se sente livre, livre?...Não ela se vê só, apenas isso!
e não sabe o que fazer com essa solidão que vem chegando, com esse medo do escuro, dos trovões, medo da tempestade que se forma em seu intimo, por que essa história foi pra esse lado?
Por que seus anseios sempre a levam a destruir tudo o que mais quer? Não sabe, não tem a resposta, não tem o dom de entender sua própria natureza, ela se vê outra vez na mesma praça, na mesma cidade perdida no meio de tantas pessoas, mas absolutamente vazia, solitária!!
E tudo o que deseja é fugir, fugir pra onde nada seja ou lembre esse amor, mas não pode, vê lá num canto da cômoda a fotografia deles rindo felizes, ah que riso lindo ele tem, que boca sedutora,
os olhos são sonhadores, amáveis, ela ainda o ama, como o ama mas depois do que disse pra ele, sabe que não tem volta, maguou o demais, é sempre assim ela começa e não para
diz tudo o que vem na boca, nem pensa ou pondera, de seus lábios jorram barbaridades e ela as diz sem cerimônia, sem pensar, dai ele não suportou e se foi...
Agora naquele final de tarde ela reflete entre lágrimas as dores de toda sua consciência, de todas as suas infantilidades sem nexo, tarde demais ele não volta!
O trem já partiu e seu apito longo e dolorido o levou, levou o pra sempre ,
porque eles são ambos orgulhosos, ela não o procurará e ele nunca mais voltará, agora tudo o que lhes restam e a solidão entre os dois, talvez lembranças e lágrimas os façam pensar numa volta, talve!
Tristeza e dor são o que lhe restam, hoje ela sente o frio do silêncio que ficou,silêncio dos risos dele, da voz suave chamando seu nome, das borbulhas de vinho nas taças,e eles brindando a felicidade, felicidade que se foi junto com seu amado, ela se joga na cama e seu pranto corre, seus soluços ecoam no vazio que restou, só vazio,apenas vazio nessa alma sem amor.

Graça Tavares


terça-feira, 9 de agosto de 2011

O ônibus


Tudo era um enigma sem nexo talvez, mas ela sabia que isso a deixava feliz, envaidecida.
Enfim vivia outra vez, mesmo que fosse por um minuto, uma fração de um tempo que estava escasso pra ela, aos quarenta e três anos não sonhava mais com paixão, amor e romances.
No ônibus todos os dias aquele garoto a olhava, a devorava com o olhar, ela sentia ele, comendo a com os olhos, mas achava que algo de errado ele via nela, nunca imaginou nada além de ter um que de estranho e ele observa la por essa razão.
Só ontem ela leu nos olhos dele o desejo, viu neles refletido aquele brilho, aquele fogo e ele nem tentava disfarçar, meio encabulada e envaidecida ela se retraia. Ele sentou do outro lado um pouco mais atrás e assim, ela sentia seu olhar queimando a, chegou sua parada e ele ficou olhando a como um bobo,  tentou sorrir ou balbuciar algo, mas foi só, ela desce e ele pela janela observa seu caminhar.
No dia seguinte tudo igual ela entra no ônibus ele também, a cena se repete, não trocam palavras nem mesmo olhares, mas ela sabe que ele a deseja e ele sabe que ela sabe. Outros dias seguem e eles os amantes seguem no silêncio que os tornam únicos nessa entrega sem toques, sem palavras, apenas essa emoção os domina.
Numa bela quinta-feira ela entra no coletivo e ele não está, disfarçadamente o procura com o olhar nada, hora do ônibus partir,  seu coração aflito chora a saudade, quando seus olhos ávidos o avistam do outro lado da avenida, correndo pra chegar a tempo, tarde demais o carrasco sai sem piedade levando as esperanças dela,  deixando o desespero dele. No dia seguinte ela capricha no visual, se esmera na roupa, no batom mais escuro, os cabelos mais modernos, clareia  os , faz um  corte atual, chega no ponto como se fosse ao primeiro encontro trêmula e ansiosa, minutos depois ele chega, entra na fila, não a viu ou melhor a viu de costas e não a  reconheceu, olha em volta e pensa mais um dia não nos veremos, entram no ônibus, ela caminha ao seu lugar preferido e espera por ele, quando ele a vê se encanta e dispara um oi, ela tímida e nervosa responde. Seguem naquele sacolejar do coletivo ao som das vozes diversas narrando histórias múltiplas, ela chega ao seu destino e ele diz tchau, flutuando ela responde.
Todos os dias aquele encanto mágico se repete entre eles amantes apaixonados ,amantes de um amor sem entregas, mas de uma paixão sem limites, paixão de sangrar a alma, ela o ama desesperadamente ele a deseja com todas as forças, mas ambos tem medo desse amor e apenas seguem nesse espaço que pra eles é sagrado é eterno. Mais uma tarde, outra vez o ônibus, outra vez o destino cruel que os leva ao devaneio de se possuírem além dali, além de tudo, mas são eles efêmeros nessa existência apenas sonham nada mais.

Graça Tavares

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Poema


Agora nesse exato momento o poema se apagou!
Ela se deu conta de que nada tinham em comum,
eram em tudo diferentes.
A beleza do primeiro encontro está borrada,
o frescor daquela primavera se perdeu, nem lembranças boas ficaram.
Agora nesse instante os poemas não lhe dizem nada.
Desgarrada desse drama ela se perde em conflitos interiores, já não pertence mais a essa farsa.
Por absoluta falta de compatibilidades ambos ofuscaram seus brilhos, suas vidas eram nada diante de toda guerra de nervos, ela afoita e instigante, ele completamente desnorteado se perdia em meio aos desabafos inconstantes e sem nexo dela!
O único momento de completo entendimento era na cama, lá eram dois selvagens sem escrúpulos, sem medos ávidos de desejos se entregavam sem pudores, insanos e aflitos nem refletiam apenas se sugavam, se amavam como se sempre fosse a ultima vez.
Ali entre pernas, seios e beijos, toda a magia se esvaia, o céu era azul, os dias cheios de luz e aquele encanto durava o mesmo que o orgasmo, era o tempo necessário pra se extasiarem e voltarem ao diálogo sem nexo, sem travas.
Tudo neles era além, além da paixão, além da razão. e nesse além se perderam
buscando o algo que os apavora,desejando mais sempre mais e nem eles sabem o que é que buscam!
Agora nessa agonia eles querem de volta a paixão, querem o tesão na pele arrepiada,
e ambos tremem na abstinência dos corpos sedentos e famintos, no desejo que os consome gritam por amor, querem de novo se entregarem e descobrirem nessa entrega cada desejo dos seus corpos, cada sensação recôndita e nessa entrega proibida, desmedida todos os desejos reprimidos, coibidos serão satisfeitos, todas as cobranças serão supridas e nesse penetrar de almas os corpos devorados e saciados queimarão de êxtase!

Graça Tavares


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dor de Amor


Nesse exato instante ela constata o fim, relutando entre o sonho e a realidade,
hesita numa agonia lenta e discreta, tudo o que quer é achar o chão que escapou dos seus pés,
é se encontrar frente a frente com a vida que deixou fugir do seu controle.
Nesse desatino, ela força seus pensamentos a não irem em busca dele, não quer se deixar levar por emoções, nem pensar nos carinhos falsos, nos beijos infantis e sem gosto, nem se quer sabe como entrou nessa paixão insensato, como se envolveu num amor sem graça, sem romance, era tudo tão pela metade, tudo tão fugaz, ele nem era o homem dos seus sonhos, nada nele a atraia, por que diabos se deixou levar?
Ah mas ela sabe porque, ela sabe como entrou nesse enredo maluco, foi pra esquecer seu grande amor, foi pra fugir da dor da perda do Renato, nessa amargura ela se perdeu buscando ele em qualquer um, tentando encontrar seus abraços em outros braços, buscando sua boca em outras bocas e ai varou madrugadas em outras camas, fez sexo ao invés de amor com outros, pensando nele, e nenhum chegou aos seus pés, nenhum a amou como ele, .nem a possuiu com a mesma intensidade.
Ela o conheceu dias após Renato partir, ele era doce, meigo e compreensivo, até lembrava com palavras e gestos seu Renato, ela agarrou se a isso como se agarra numa enxurrada a única tábua que resta, pra não morrer afogada e nessa falsa esperança de salvação, ela sufocou seus anseios nessa coisa maluca, que ambos chamavam de amor, foi ai que todas emoções vieram a tona, paixão, medo, ódio, mentiras e farsas completaram essa situação, mas nada , nada supriu a saudade, a falta de Renato ela agora chora a perda, chora o fim,  mas não é o fim desse amor insosso, desses beijos infantis, das transas apressadas de finais de tardes, o que ela chora mesmo é a falta que Renato faz, é a saudade que ele deixou, é o aroma do seu perfume que está impregnado em sua alma,  toda essa dor é por causa do seu grande amor ... Renato.
Mais ela sabe outros amores virão e outras dores também...mas só ele seu encantado amor a salvará dessa dor.

Graça Tavares

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

...Restou apenas a dor


Meio ou quase que perdida, ela já não sabe o que quer falar nem o que pensar
só sente uma solidão terrível, um medo do desconhecido ou conhecido.
Absolutamente só, a beira do desespero ela não tem mais esperanças, nem fé, essa sempre faltou nela. Está confusa, perdida nenhuma palavra ou gesto lhe dirão coisa alguma,  não é mais um estado de espírito já é um espírito sem estado ou casca.
De repente percebe que nada vale a pena ou faz sentido, pra que tantas fórmulas ou invenções?
de que vale os investimentos, as descobertas científicas?
Se os seres humanos não passam de um amontoado de carnes perecíveis?
Pra que correr atrás de grana, de sucesso, de fama se tudo é ilusão e nada disso os fará eternos?
Ela chora, cada lágrima que cai é uma história, cada história uma dor!
Sem conteúdo, sem forças ela carrega na alma toda angústia da vida, toda mágoa de seus amores desfeitos, amores mau vividos, mau amados, vida mau resolvida.
Vida, vida não é isso é algo mais sublime, mais intenso, vida é coisa de brilho, coisa de cores.
Viver é ter vida, isso ela não tem nunca teve, tudo foi só desespero, abandono, bofetadas, mas ela quer sair dessa tristeza e não importa como tudo o que ela deseja é viver, sem medos sem covardia,porque covardia é pra pobre de alma , pobre de fé, hoje nesse instante ela é a luz do seu existir e não quer mais saber de dor, não sentirá mais saudades nem terá solidão!
Ela agora sabe, não perdeu nada quem se foi é o perdedor, é quem não teve coragem de possui la ,quem não foi suficiente verdadeiro pra viver seu amor,portanto pra quem partiu restou apenas a dor.

Graça Tavares