sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Poema


Agora nesse exato momento o poema se apagou!
Ela se deu conta de que nada tinham em comum,
eram em tudo diferentes.
A beleza do primeiro encontro está borrada,
o frescor daquela primavera se perdeu, nem lembranças boas ficaram.
Agora nesse instante os poemas não lhe dizem nada.
Desgarrada desse drama ela se perde em conflitos interiores, já não pertence mais a essa farsa.
Por absoluta falta de compatibilidades ambos ofuscaram seus brilhos, suas vidas eram nada diante de toda guerra de nervos, ela afoita e instigante, ele completamente desnorteado se perdia em meio aos desabafos inconstantes e sem nexo dela!
O único momento de completo entendimento era na cama, lá eram dois selvagens sem escrúpulos, sem medos ávidos de desejos se entregavam sem pudores, insanos e aflitos nem refletiam apenas se sugavam, se amavam como se sempre fosse a ultima vez.
Ali entre pernas, seios e beijos, toda a magia se esvaia, o céu era azul, os dias cheios de luz e aquele encanto durava o mesmo que o orgasmo, era o tempo necessário pra se extasiarem e voltarem ao diálogo sem nexo, sem travas.
Tudo neles era além, além da paixão, além da razão. e nesse além se perderam
buscando o algo que os apavora,desejando mais sempre mais e nem eles sabem o que é que buscam!
Agora nessa agonia eles querem de volta a paixão, querem o tesão na pele arrepiada,
e ambos tremem na abstinência dos corpos sedentos e famintos, no desejo que os consome gritam por amor, querem de novo se entregarem e descobrirem nessa entrega cada desejo dos seus corpos, cada sensação recôndita e nessa entrega proibida, desmedida todos os desejos reprimidos, coibidos serão satisfeitos, todas as cobranças serão supridas e nesse penetrar de almas os corpos devorados e saciados queimarão de êxtase!

Graça Tavares


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