quarta-feira, 17 de agosto de 2011

E restou solidão


Depois do adeus ela se sente livre, livre?...Não ela se vê só, apenas isso!
e não sabe o que fazer com essa solidão que vem chegando, com esse medo do escuro, dos trovões, medo da tempestade que se forma em seu intimo, por que essa história foi pra esse lado?
Por que seus anseios sempre a levam a destruir tudo o que mais quer? Não sabe, não tem a resposta, não tem o dom de entender sua própria natureza, ela se vê outra vez na mesma praça, na mesma cidade perdida no meio de tantas pessoas, mas absolutamente vazia, solitária!!
E tudo o que deseja é fugir, fugir pra onde nada seja ou lembre esse amor, mas não pode, vê lá num canto da cômoda a fotografia deles rindo felizes, ah que riso lindo ele tem, que boca sedutora,
os olhos são sonhadores, amáveis, ela ainda o ama, como o ama mas depois do que disse pra ele, sabe que não tem volta, maguou o demais, é sempre assim ela começa e não para
diz tudo o que vem na boca, nem pensa ou pondera, de seus lábios jorram barbaridades e ela as diz sem cerimônia, sem pensar, dai ele não suportou e se foi...
Agora naquele final de tarde ela reflete entre lágrimas as dores de toda sua consciência, de todas as suas infantilidades sem nexo, tarde demais ele não volta!
O trem já partiu e seu apito longo e dolorido o levou, levou o pra sempre ,
porque eles são ambos orgulhosos, ela não o procurará e ele nunca mais voltará, agora tudo o que lhes restam e a solidão entre os dois, talvez lembranças e lágrimas os façam pensar numa volta, talve!
Tristeza e dor são o que lhe restam, hoje ela sente o frio do silêncio que ficou,silêncio dos risos dele, da voz suave chamando seu nome, das borbulhas de vinho nas taças,e eles brindando a felicidade, felicidade que se foi junto com seu amado, ela se joga na cama e seu pranto corre, seus soluços ecoam no vazio que restou, só vazio,apenas vazio nessa alma sem amor.

Graça Tavares


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