
Eram farpas, suores e fenos tudo envolto nos corpos,
eles rolavam sem se importarem com o tempo , nem com os animais que os observavam e pareciam entender seus desespero.
Naquele momento eram eles dois anjos, inocentes e felizes na entrega total e sublime!
Eram então deuses perdidos na lascívia desses sentimentos e na ânsia de se doarem nem percebem o temporal que se aproxima, nem sentem o perigo que os ronda, apenas se entregam alucinados, ele há séculos esperava por ela, ambos sabiam chegaria a hora que seria breve como os raios dessa tempestade, mas nesse espaço de luz seriam únicos e se amariam por todo o sempre.
Nessa loucura de dores, paixões e entregas, eles buscavam resgatar toda a ausência, queriam nesses segundos absorverem a eternidade, degustando cada beijo, cada caricia como se fossem as ultimas.
Esse desespero de se entregarem a paixão que os atormentava era antigo, tinham agora toda a magia de se possuirem, sem ousarem imaginar que os inimigos os espreitavam, lá fora todos queriam devora los, extermina los, haviam tochas nessa noite escura,criados cansados e famintos, cães ladrando em busca dela, seu senhor a queria, pra adornar seu castelo e o lacaio seria punido, destruído por ousar ama la, possui la, a aventura deles seria breve e também cruel.
Mas o destino, os deuses talvez queriam mais ,muito mais! O vento gritava, era um lamento doce e tenebroso, o ladrar dos cães, os raios e ventos davam um cenário tétrico, eles nada viam apenas sôfrrgos de tanto amor contido, reprimido devoravam se aflitos temendo o final, nessa tortura alucinante de corpos sedentos, derrubam a lamparina e no exato momento do êxtase, o fogo dos corpos, com o fogo da lamparina e dos raios se misturam, tudo se veste de um vermelho laranja, gritos de amor e horror se calam na noite, perpetuando o amor que eles tanto desejaram
viver e que na luz desse fogo se fez eterno.
Criados, cães e senhor chegaram tarde demais, os amantes se foram felizes num raio.
Graça Tavares
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