quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ana saudades

E essa saudade é assim...
Algo súbito, algo doido, até dolorido!
Essa ausência é sentida, é caótica mas é real!
Ana se arrasta em sua inércia, vagando sem paradas, sem rumos nos pensamentos sofridos,
saudades de uma vida perdida na sua vida, saudades da infância, da mãe, do cheiro de peixe frito no jantar.
Nessa melancolia todas as dores vem, sugando, martirizando, torturando.
Ela é agora a parte que restou, a que chora, a que se perdeu no tempo.
Olha em volta, tudo está normal, absolutamente em ordem.
 _Que ordem, o que é normal?
Dentro do seu peito algo que sair e gritar, mas ela resiste, persiste na loucura da ordem,
no querer ser normal, absolutamente sem fé, sem teto, sem chão ela se rasga por dentro, chora, uiva lamenta calada...em vão a ordem reina, tudo em volta está limpo, arrumado, belo, só sua alma sangra,.só seus desejos calam, a saudade tem vida,  tem poderes, ela não tem forças nem ânimo, não tem razão nem vontades, apenas vive a deriva desse sentimento, dessas dores, seu algoz é sua ordem, sua estupidez absurda em querer ser normal.
Nada é maior que seu desespero em recordar o que se foi, Ana tambem quer ir, nessa louca viagem ao infinito da alma, ela se joga na escuridão cheia de fantasmas.


Graça Tavares
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário