Nada mais cruel que um coração magoado, ainda mais se é mágoa de amor!
É, Mágoa dessas que ficam impregnadas no corpo e na alma, muito mais na alma que no corpo.
Assim se viu a pobre menina, só, vazia e magoada!
Não, isso não vai ficar assim! Vai ter um troco, a revanche, a grande vingança, de que forma? ela não sabe, não tem idéia, mas quer a todo custo se vingar do crápula e assim cresce em seu peito a dor, misturada ao ódio que a corrói. Nesse mesmo peito que um dia se encheu de ternura por aquele homem desenhado nos seus sonhos, aquele homem que jurou amor, dedicação fêz promessas, fêz carinhos intensos em seu corpo e no seu ego, depois jogou ao vento todas promessas e desejos, deixando a sem rumo, sem direção.
Ele é mesmo um cruel e amargo fantoche do destino, esse destino que a deixa sempre na mão, quando ela pensa está segura, forte e vencendo, ele vem e a joga na mais obscura solidão, só que desta vêz tem algo concreto, palpável, ele pra ela se vingar desse senhor estranho, imprevisivel e sádico, o tal destino! Ele tomou forma, criou corpo e abraços em seu corpo e agora ela o pegará de maneira sutil e tão cruel como ele mesmo fez com ela, nada a impedirá de efetuar seu plano.
Não, apenas lágrimas molham seu rosto ela sabe que é frágil, que é apenas uma garota solitária nessa noite fria, sem estrelas brilhantes tá tudo tão opaco e vazio.
Seca com o vento seu rosto e decide, vai sim tornar real essa desforra, será sua gana pra viver ou tentar continuar vivendo, assim segue nessa noite fria, mas seu corpo nem sente mais o frio, seus olhos captaram o briho das estrelas e ela segue noite a dentro cheia de sonhos e calor, sua alma está repleta de desejos impuros e sagazes, ainda nessa madrugada tudo ficará lilás.
Graça Tavares
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