Cacos de vidros apertam seu peito, dificultando a respiração, seu abismo é ali!
Nada dói mais que essa dor, nada abala sua alma como esse adeus.
É tenso sentir esse fim, saber que amou alguém, que nunca a amou e disse amar outro alguém!
É tensa essa solidão múltipla.
O metrô repleto de pessoas, anônimas em busca de afetos e amores!
Lá está ela e seus sonhos presos a laços de cetim, num embrulho desfeito de papel de seda, rasgaram se
as ilusões, o papel era frágil, as palavras eram falsas!
Nem sempre o que queremos é o que temos, nem sempre as marcas do tempo nos rosto são de alegrias, nem sempre...
Flores perdidas nas tardes de outono, velas aromatizadas embalaram essa paixão e nada disso o fez sentir ou amar esse amor que ela o ofertou!
Estações que seguem, rostos cansados, felizes, desiludidos, sobem e descem dos vagões, ela nem vê ou sente essas almas, apenas delira nos seus delírios.
São perfumes e vestidos, saltos e bolsas jogados na cama, a cada encontro uma loucura, lindas canções no rádio do carro, juras de amor eterno, segredos dos amantes, divididos entre goles de vinhos e taças de sorvetes, filmes de amores impossíveis, fantasias eróticas, tudo era uma massa disforme em sua mente atordoada.
Finalmente chega ao seu destino, cambaleante e vazia ela desce, rumo a vida que a chama, seu dia é apenas mais um dia, já não tem mais cores nem aromas, o doce é amargo!
O amor é agora apenas desamor.
Graça Tavarez

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