A dor apertava seu peito, a alma sangrava em silêncio!
Tudo tão banal tudo tão cinza,mas ela sofria, sofria e se
perguntava até quando? por que?
Nada dizia se estava certa ou errada, nada fazia sentido nessa sua existência inexistente!
Sim, ela era transparente, era absolutamente sem nenhum valor ou razão!
Sem destino, caminhou horas pensando nessa vida sem vida que vivia!
Sim, havia uma rotina, haviam pessoas nessa rotina, mas tudo desconexo como se ela acabasse de acordar
de um longo sono, sem sonhos, sem cores.
Já não tinha esperanças, ela nem se quer existia!
Por que ainda insistir com isso?
Pra que essas loucuras em vão? Se ele nunca a viu como desejou ser vista?
Se nunca amou como quis ser amada?
Não há pressa mais em lugar algum, não há mais luzes azuis a sua espera,
nem romances perfumados, não tem velas coloridas de aromas doces,
não tem sedas, nem cetim ,há apenas o vazio dessa dor!
Há apenas esse lago, cheio de musgos e serpentes invisíveis a sua espera.
o frio cortante dessas águas insípidas a acolherá com garras e horrores.
todos os seres aquáticos a observam com olhos famintos!
Ela agora é rainha do seu próprio delírio é banquete pra olhos ávidos, por alguma vida sem vida.
Olha em volta e a densa neblina esconde seu desvario, seus olhos lindos cor de mel, guardam um frio desejo mórbido, uma despedida solitária e sem som!
Vazia e tonta ela desce como uma ninfa azul, lentamente caminha em direção ao seu algoz, ao seu maior medo, água, águas, sempre teve medo da água, talvez num recôndito de sua alma previa seu fim, seu final em decomposição no fundo de um lago, sem olhar pra trás, sem ver nada a frente, ela se deixa afundar.
O banco vazio fitava a estrela se apagando, num súbito momento de total solidão!
Graça Tavarez

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