quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Buscas


Te procurei e vi apenas o abismo do teu vazio em mim,
e nessa incerteza de ilusões, o meu amor flutua nas palavras e assim é tudo tão incerto,
tudo tão irreal e absurdo, que seu olhar é mais que o sol, além de nós em nós.
E jogar as razões dos conflitos nos outros, é até fantástico e cômico, mas a distância é indecente e aflita, os problemas são apenas a relação que entremeia mentiras e falsidades, porque sempre soube que mentes bem, mas achava que era só por vaidade, sem maldades, agora consigo vê que é pura satisfação, o complemento de teu caráter, és mesquinho e cruel!
Usas com astúcia, quem está em tua volta, jogando sempre com os destinos, fraquezas e anseios de terceiros, nessa tua órbita de marionetes todos caem, porque nessa busca de ilusões, somos efêmeros e vulneráveis, e assim seguimos como zumbis nas tuas enganações e ardis, força é
apenas ficção nesse enrêdo de loucos famintos por idéias de paixões ardentes.
Sinistra essa tua maneira de querer me possuir, ativando um sentimento de posse absoluta e falsa, despertando onde não existe fagulhas, um incêndio ficticio, és apenas um bobo em extinção, porque os espertos estão no êxtase da vida plena de boas colheitas, buscando sempre o amor real e puro.
És apenas um fragmento solto no teu próprio espaço, uma miragem aos teus próprios olhos,
porque tua vida não te pertence vives na fantasia que crias a cada segundo e nelas perdeste a tua identidade,agora choras buscando saber quem és!

Graça Tavares

sábado, 10 de setembro de 2011

Viva o amor!


Tanta hipocrisia, falsidade, ela cansou de tudo!
Cansou de viver, cansou desse amor inútil que a atormenta, de todas as mentiras e fugas absurdas
cansou da vida enlouquecida que tomou conta dela, assim sem avisar.
Agora tudo a enoja, a faz vêr que nada do que sentia era real, puro ou verdadeiro, tudo era ilusão era vulnerável como a vida.
Hoje ela é apenas uma alma em desespero, uma frágil criatura, perdida nos desalinhos do seu próprio mundo, mundo perverso e maligno, que a arrastou sem piedade pra esse desfecho infame.
A água morna escorre pelo seu corpo, nem sente a delicia do momento, apenas se esfrega como se quisesse expurgar do corpo e da alma as caricias , os beijos que a fizeram feliz...feliz? Não nunca foi feliz, isso é sonho, fantasia e ela cansou de sonhar, agora quer apenas viver, se isso for possivel.
Vai nesse seu alucinante delirio, buscar sua identidade perdida, não sabe onde a perdeu, nem mesmo quando sabe apenas que era tão segura, tão forte e poderosa, mas mesmo assim se deixou levar, dominar por esse sentimento vazio, fùtil, nunca acreditou em romances, paixões, mas foi levada por esse jogo feroz.
Sem querer agora está novamente seduzida por lembranças doces do inimigo, que a deixou nesse tormento, O banho é seu alivio do momento, sua fuga do espelho que a espera, espelho que vai mostrar os olhos inchados e vermelho de chorar por aquele sentimento sem razão, coisa absurda e irreal, não ela não vai vêr mais essas marcas, nem vai sentir o gosto insálubre dessa malditas lágrimas, hoje é dia de sorrir e ser feliz, ela vai dançar com amigos, vai viver uma noite de pura magia e nada de sentimentos primitivos pra estragar sua festa, pra ofuscar seu brilho!
Hoje é dia de sair do casulo e enfim desabrochar, vai fazer outros amores nascerem.
e essa metamorfosse da vida é sua, seus cabelos e olhos ganharão novo brilho, viva o amor!!!

Graça Tavares

Loucura em bobagens


Existe sempre uma razão pra explicarmos ou tentarmos explicar nossas culpas e deslizes,
existe sempre um sol no nosso interior querendo brilhar, tem borboletas nas mentes e cores
da primavera invadindo nossos sonhos, mas nunca estamos cem por cento felizes!
Existe sempre um amor impossivel, um caso mal resolvido, são tantos empecilhos e desvios
que no final resta apenas cansaço,
São pedras; espinhos; mentiras, fugas,solidão e desespero e entre uma saudade e outra
vem os desvarios que nos deixam seguir, rumo ao infinito da loucura vida que nunca finda, nós é que partimos e essa partida é sem volta, depois resta apenas a solidão.
Existe sempre fragmentos dessas vidas perdidas no espaço, deixamos nesse vazio, enredos de amor e dor, sempre tem um ou outro que vivenciou das mesmas agruras e por essa e outras razãos, semi deuses existem!
Nesse pleno existir de dores e amores, seguimos sem lenço sem documento, entre um gole de sicuta escaldante e uma breja gelada, somos tudo em nada.
O inferno é logo ali na esquina, tem drogas, sexo e rock. Nesse passeio pela vida quem foi que nunca tropeçou?
Quem será tão puro e imaturo que julgará seu semelhante!
Isso semelhança é quase igual ou será mesmo igual? Com esse lance de clonagens e coisas de outro mundo somos todos um e ninguem é mais ninguem ou melhor, será que alguem aqui sabe de fato o que é e a que veio?Nessa de ficar filosofando sobre vida e outros lances. acho que me perdi e nem me dei conta da pressão, ouço samba, pagode e reap, tudo é tão natural, só os loucos ousam classificar, rotular e deixar marcas eu sou é sã! e ai quem não é?
Ah quanta loucura cheia de bobagem, acho que é melhor deixar por hoje esse meu devaneio!

Graça Tavares

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vinho ou sangue?


Uma taça de vinho, dois corpos quentes.
uma suave musica ao longe, lágrimas sútilmente escorrem pelas faces.
Um cheiro de avelãs no ar, chocolates espalhados nos cetins, rosas de um vermelho alaranjado
cobrem o cristal despedaçado. Sem rumo, olhar perdido no teto ele vaga entre a cama e a janela,
aquele liquido vermelho é sangue ou vinho? Na sua insanidade momentânea ele não distingue a realidade do sonho, sua mente embotada e opaca, apenas ouve o sussusrrar em seus ouvidos, a voz doce e amada a dizer:

_ acabou, hoje nos despedimos!
Isso não pode ser real, ali está ela na cama, tão linda, tão frágil a espera de seus carinhos, mas o que de fato ocorreu? ele não sabe, não tem noção.
Jamile chegou no seu decote azul, sensual como sempre, eles se amaram como nunca haviam se amado, o vinho presenciou o romance mais puro e verdadeiro que eles viveram, aquela cama de ferro antiga era a única testemunha dos orgasmos múltiplos que ali se deram e eles nunca diziam muito, apenas se amavam, era um amor antigo e já se desgastando, o erotismo do começo fenecia e toda a aura mágica que envolve os amantes estava turva, só ele não via e não queria aceitar. mas ela tinha planos e queria sair dessa mesmice, queria mais e mais, queria viver!
Foi seu erro, sua sentença, ele embriagado de amor cego pela dor e extasiado com o vinho
quebrou o vaso com as belas rosas que ela tanto admirava, e esse mesmo vaso cedeu um caco
de seu cristal pra perfurar seu corpo macio,  ao retirar a vida que pulsava com tanta gana de viver, Jamile não reagiu, apenas estremeceu e ali derramou todo o brilho de seu olhar, agora ele não tem certeza se o liquido vermelho que escorre pelo chão, é sangue ou vinho!
Ele atônito fala com o corpo sem vida que está na velha cama, e diz com palavras sem nexo do seu amor, da sua paixão que naquele instante sangra, o barulho das sirenes e os passos apressados que vem ao seu encontro não o fazem vê o que de fato sucedeu, ele quer apenas beija la, os homens do resgate pegam o belo corpo sem vida e ele a segurar a taça não sabe, nem vê as algemas que o prendem a um desconhecido, só enxerga as algemas da alma e ouve a voz de Jamile dizendo:

_  acabou é essa nossa ultima vez!

Graça Tavares

Silêncio do Amor

E terminou o dia, nenhuma palavra ou gesto.
Passaram se as horas cheias de angústias, lágrimas escorreram, remorsos e perdão se chocaram.
Num arrastar lento e amargo a solidão se instalou, se fêz senhora nesse caos de sentimentos.
Nenhum toque, nenhum grito rasgando a dor pra dizer eu te amo!
Esse silêncio fere, machuca.
E toda a dor da saudade se esvae numa espera vã.
Nada de oi, nenhuma palavra de consolo ou de escárnio.
Começa a noite cheia de sombras e lembranças, caricias esquecidas pelo corpo latejam,
os poucos beijos trocados se revelam ardentes nos lábios.
Madrugada vazia vem atormentando suas preces e pedidos
Vagando nas nuances do que foram, perdem se nesse labirinto de emoções.
E todos os lamentos ecoam pelos vazios do silêncio desse amor partido.

Graça Tavares

domingo, 4 de setembro de 2011

Vinganças


Nada mais cruel que um coração magoado, ainda mais se é mágoa de amor!
É, Mágoa dessas que ficam impregnadas no corpo e na alma, muito mais na alma que no corpo.
Assim se viu a pobre menina, só, vazia e magoada!
Não, isso não vai ficar assim! Vai ter um troco, a revanche, a grande vingança, de que forma? ela não sabe, não tem idéia, mas quer a todo custo se vingar do crápula e assim cresce em seu peito a dor, misturada ao ódio que a corrói. Nesse mesmo peito que um dia se encheu de ternura por aquele homem desenhado nos seus sonhos, aquele homem que jurou amor, dedicação fêz promessas, fêz carinhos intensos em seu corpo e no seu ego, depois jogou ao vento todas promessas e desejos, deixando a sem rumo, sem direção.
Ele é mesmo um cruel e amargo fantoche do destino, esse destino que a deixa sempre na mão, quando ela pensa está segura, forte e vencendo, ele vem e a joga na mais obscura solidão, só que desta vêz tem algo concreto, palpável, ele pra ela se vingar desse senhor estranho, imprevisivel e sádico, o tal destino! Ele tomou forma, criou corpo e abraços em seu corpo e agora ela o pegará de maneira sutil e tão cruel como ele mesmo fez com ela, nada a impedirá de efetuar seu plano.
Não, apenas lágrimas molham seu rosto ela sabe que é frágil, que é apenas uma garota solitária nessa noite fria, sem estrelas brilhantes tá tudo tão opaco e vazio.
Seca com o vento seu rosto e decide, vai sim tornar real essa desforra, será sua gana pra viver ou tentar continuar vivendo, assim segue nessa noite fria, mas seu corpo nem sente mais o frio, seus olhos captaram o briho das estrelas e ela segue noite a dentro cheia de sonhos e calor, sua alma está repleta de desejos impuros e sagazes, ainda nessa madrugada tudo ficará lilás.

Graça Tavares

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ele


Ele achava que era seu tudo, sentia no seu intimo que ela dependia dele
e ela deixava que ele achasse, era conveniente.
Ele se sentia dono da situação, dono da vida que ele achava lhe pertencer, pura fantasia!
No fundo ela não precisava dele pra continuar sua saga, pra satisfazer seus desvarios, nada tinha razão
ou fazia sentido pra ela, era tudo tão fugaz, tudo tão normal, acorda lo em plena madrugada, exigindo sua presença, mesmo que fosse apenas sua voz, ela exigia, ordenava e ele a obedecia. Achando que era dependência, era carência, nada o fazia vêr que ela era quem ditava as regras, que ele era o simples lacaio.
Nesse seu orgulho masculino, o ser que "domina" ele seguia exultante, ela sua preciosidade, tão frágil, tão menina carinhosa!
Nem se dava conta das verdades que estavam expostas, seguia em sua cegueira habitual, achando que era o todo poderoso salvador dessa criatura débil e meiga, nesse seu delirio, não percebeu um outro chegando sorrateiro e tomando seu espaço, ele não sentia nem via o perigo rondando, era apenas ele o centro daquela vida, o professor mestre de todas as artes daquela menina-mulher perigosa, armada de charme e sedução, louca em pleno cio insano, ela o subjugava na cama, fazia dele seu rei nesses instantes de prazer absoluto. E ele reinava ali como se fosse o czar, o sultão mais apaixonado, o barão alucinado de tesão, se entregava a todas exigências e" carências" da Lôba faminta que o sugava, e nesse espaço de ternura e entregas ela o levava onde queria, mas cansou já havia extrapolado todos os limites, explorados todas as possibilidades de armar suas histórias e manobras, agora ela o via como passado!
E assim como chegou, sorrateira e mansa se foi... Quando ele se deu conta, ela já havia escapado, seu desespero se espalhou, entre lamurias e perdão ele a buscou nos becos escuros, noites e noites nos bares, agoniando em seu desespero. Onde ela estará, com quem e como? se ela dependia dele, ele era seu mundo a razão daquela frágil existência? Mas quem deixou a lacuna foi ela, quem partiu foi essa alma ingrata e nessa insanidade controlada por desejos ocultos e um coração despedaçado, resta apenas o vazio da solidão.
No silêncio de uma bela noite de sonhos ele sai em busca de seu desejo, e em um desses bares da vida a vê linda, exuberante na fragilidade doce da feminilidade que a envolve, excitado e aflito corre ao seu encontro, e eis que a vê em outros braços, outro nesse momento a envolve com carinhos e atenções, mais como?Como pode ser se era ele tudo pra ela?.

Graça Tavares