Vida, vida viver, nascer, morrer!
Tudo tão efêmero, tudo tão sutil
sou brasa, sou nada!
Sou fogo, sou neve !
Olhando o tempo, perdida em pensamentos,
Laura vê o tempo escasso, a vida insana que ela viveu até hoje.
Nada de felicidade, nada de tão emocionante ou doce,
apenas vida sem graça, vida mais ou menos vida!
Esse lance viver é fugaz, é solitário, por mais que ela na multidão, está só!
Laura é só! Laura é fantasia sem par é bailarina de solo!
Solo, solidão nada de coro, nada de pares,
apenas Laura e a dor!
Graça Tavarez
Cacos de vidros apertam seu peito, dificultando a respiração, seu abismo é ali!
Nada dói mais que essa dor, nada abala sua alma como esse adeus.
É tenso sentir esse fim, saber que amou alguém, que nunca a amou e disse amar outro alguém!
É tensa essa solidão múltipla.
O metrô repleto de pessoas, anônimas em busca de afetos e amores!
Lá está ela e seus sonhos presos a laços de cetim, num embrulho desfeito de papel de seda, rasgaram se
as ilusões, o papel era frágil, as palavras eram falsas!
Nem sempre o que queremos é o que temos, nem sempre as marcas do tempo nos rosto são de alegrias, nem sempre...
Flores perdidas nas tardes de outono, velas aromatizadas embalaram essa paixão e nada disso o fez sentir ou amar esse amor que ela o ofertou!
Estações que seguem, rostos cansados, felizes, desiludidos, sobem e descem dos vagões, ela nem vê ou sente essas almas, apenas delira nos seus delírios.
São perfumes e vestidos, saltos e bolsas jogados na cama, a cada encontro uma loucura, lindas canções no rádio do carro, juras de amor eterno, segredos dos amantes, divididos entre goles de vinhos e taças de sorvetes, filmes de amores impossíveis, fantasias eróticas, tudo era uma massa disforme em sua mente atordoada.
Finalmente chega ao seu destino, cambaleante e vazia ela desce, rumo a vida que a chama, seu dia é apenas mais um dia, já não tem mais cores nem aromas, o doce é amargo!
O amor é agora apenas desamor.
Graça Tavarez
A dor apertava seu peito, a alma sangrava em silêncio!
Tudo tão banal tudo tão cinza,mas ela sofria, sofria e se
perguntava até quando? por que?
Nada dizia se estava certa ou errada, nada fazia sentido nessa sua existência inexistente!
Sim, ela era transparente, era absolutamente sem nenhum valor ou razão!
Sem destino, caminhou horas pensando nessa vida sem vida que vivia!
Sim, havia uma rotina, haviam pessoas nessa rotina, mas tudo desconexo como se ela acabasse de acordar
de um longo sono, sem sonhos, sem cores.
Já não tinha esperanças, ela nem se quer existia!
Por que ainda insistir com isso?
Pra que essas loucuras em vão? Se ele nunca a viu como desejou ser vista?
Se nunca amou como quis ser amada?
Não há pressa mais em lugar algum, não há mais luzes azuis a sua espera,
nem romances perfumados, não tem velas coloridas de aromas doces,
não tem sedas, nem cetim ,há apenas o vazio dessa dor!
Há apenas esse lago, cheio de musgos e serpentes invisíveis a sua espera.
o frio cortante dessas águas insípidas a acolherá com garras e horrores.
todos os seres aquáticos a observam com olhos famintos!
Ela agora é rainha do seu próprio delírio é banquete pra olhos ávidos, por alguma vida sem vida.
Olha em volta e a densa neblina esconde seu desvario, seus olhos lindos cor de mel, guardam um frio desejo mórbido, uma despedida solitária e sem som!
Vazia e tonta ela desce como uma ninfa azul, lentamente caminha em direção ao seu algoz, ao seu maior medo, água, águas, sempre teve medo da água, talvez num recôndito de sua alma previa seu fim, seu final em decomposição no fundo de um lago, sem olhar pra trás, sem ver nada a frente, ela se deixa afundar.
O banco vazio fitava a estrela se apagando, num súbito momento de total solidão!
Graça Tavarez
Coração estilhaçado, desordem em volta, lágrimas, páginas rasgadas, tudo é solidão!
Sonhos que se tornaram pesadelos e agora?
Perguntas sem respostas:
_ o que fiz, o que farei?
_Onde errei? será que fui eu?
Nada ecoa, além da dor que sangra seu peito, é tudo surreal!
tudo anormal, nessas lágrimas tem toda uma historia de amor,
de entregas e paixão!
Nesse corpo tem uma vida repleta de sofrimentos e mágoas!
Tudo era apenas uma farsa, esse maldito amor era falso, era cruel e a castigava!
Ela se doou, se fêz amiga, amante companheira fiel, se deu se perdeu na doação insana,
nada foi do que pensava ser, nada era do pensou existir!
Agora nessa solidão absurda, ela vaga no caos, perdida nas lembranças amargas,
num torpo sem limites, flasch de loucura iluminam sua mente!
Fraca e sem rumo cambaleia no infinito!
O ontem foi apenas uma ilusão, o hoje não passa de uma agonia e o amanhã esse sim talvez possa ter um brilho insano, em tons de vermelhos múltiplos carregados de loucura e dor!!
Graça Tavarez
E essa saudade é assim...
Algo súbito, algo doido, até dolorido!
Essa ausência é sentida, é caótica mas é real!
Ana se arrasta em sua inércia, vagando sem paradas, sem rumos nos pensamentos sofridos,
saudades de uma vida perdida na sua vida, saudades da infância, da mãe, do cheiro de peixe frito no jantar.
Nessa melancolia todas as dores vem, sugando, martirizando, torturando.
Ela é agora a parte que restou, a que chora, a que se perdeu no tempo.
Olha em volta, tudo está normal, absolutamente em ordem.
_Que ordem, o que é normal?
Dentro do seu peito algo que sair e gritar, mas ela resiste, persiste na loucura da ordem,
no querer ser normal, absolutamente sem fé, sem teto, sem chão ela se rasga por dentro, chora, uiva lamenta calada...em vão a ordem reina, tudo em volta está limpo, arrumado, belo, só sua alma sangra,.só seus desejos calam, a saudade tem vida, tem poderes, ela não tem forças nem ânimo, não tem razão nem vontades, apenas vive a deriva desse sentimento, dessas dores, seu algoz é sua ordem, sua estupidez absurda em querer ser normal.
Nada é maior que seu desespero em recordar o que se foi, Ana tambem quer ir, nessa louca viagem ao infinito da alma, ela se joga na escuridão cheia de fantasmas.
Graça Tavares
Esse frágil coração agoniza.
São tantas incertezas e absurdos,
Que o descompasso da vida se perde,
no emaranhado do dia,
entre raios de sol e água gelada
o coração explode.
Nada é mais azul que os sonhos,
Nada é mais cruel que acordar
e se sentir no vazio.
Esse absoluto coração
é denso de emoções e cores,
É frio de amor ,cheio de dor.
Doido coração antigo,
se repete nas andanças das emoções sortidas.
Na agonia da escuridão,
a sombra lenta e magoada vaga.
No desespero da fome insaciável,
a saliva se esvae num lamento seco.
Na tortuosa escada do destino,
as lágrimas escorrem...
e os corredores escorregadios e escuros
dessa alma,
são profundos abismos de sentimentos vazios.
Nesse dar sem receber,
definha se as ilusões
e todo afeto é morto,
toda vida é nada.
Diante de toda essa agonia,
restou apenas uma casca oca insípida
do que um dia ousou existir.
Graça Tavares